Autores: Maraya Cabral, Rafaela
Santiago Ribeiro, Thainá Galvão.
Horácio Silvestre Quiroga Forteza
(Salto, 31 de dezembro de 1879 — Buenos Aires, 19 de fevereiro de 1937) foi um
famoso escritor argentino. Sua infância foi marcada pela trágica morte de seu
pai, quando um disparo acidental de sua arma o atingiu, na presença de sua
esposa e do próprio Horácio. Depois da tragédia, a mãe mudou-se com seus filhos
para Córdoba, onde residiu por quatro anos e voltou para Salto.
Em 1891, sua mãe se casou com Barcos
Ascênsio. Ascênsio foi um bom padrasto de Horácio, mas a tragédia atingiu
novamente a família, porque em 1896 Barcos sofreu um acidente vascular cerebral.
Horácio sempre foi bom desportista e
amante da mecânica e construção, mas também com vinte anos ele começou suas
primeiras tentativas poéticas. Ele descobriu o trabalho de Leopoldo Lugones e
Poe, que marcou claramente a sua escrita.
Durante o Carnaval de 1898, ele
conheceu seu primeiro amor, uma garota chamada Mary Esther Jurkovski, que
inspirou duas de suas obras mais importantes: “Os abatidos” e “Uma estação de
amor”. Mais tarde sua esposa caiu em uma profunda depressão e se suicidou
tomando veneno.
Após o suicídio de sua esposa, Quiroga
se mudou com os filhos para Buenos Aires, onde foi Subsecretário-Geral de
Contas, no Consulado uruguaio naquela cidade. Apareceu neste momento um de seus
livros mais famosos: Contos da selva. Desde 1932 Quiroga fez sua última
liquidada em Missiones, no que seria sua aposentadoria final, com sua nova
esposa e a filha de seu segundo casamento.
Quando perdeu o consulado, Horácio
começou a sofrer de prostatite e sua esposa o deixou, levando sua filha. Eles
descobriram que o desconforto era realmente de origem cancerosa, após seu
retorno a Buenos Aires para ser admitido no hospital. Antes de tal diagnóstico
a 19 de fevereiro de 1937, Horácio bebeu um copo de cianeto que o matou em
poucos minutos.
Linha do
tempo
1878 – A 31 de dezembro, em Salto, no Uruguai, nasce
Horacio Silvestre Quiroga Forteza, filho de Prudencio Quiroga e Juana Petrona Forteza.
1879/89 – Morre seu pai, Prudencio Quiroga, vítima de um
disparo acidental de sua própria arma (segundo alguns pesquisadores, o tiro não
foi casual). Quiroga estuda em Salto, numa escola fundada por maçons.
1890/5 – Frequenta o Instituto Politécnico, em Salto, e o
Colégio Nacional, em Montevidéu. A mãe se casa com o argentino Barcos Ascênsio.
1896 – Barcos suicida-se. Com três amigos forma em
Salto um grupo literário. Lêem poetas franceses e escrevem poemas. Quiroga
apaixona-se por Mary Ester Jurkowski, mas o romance não prospera em virtude da
oposição da família dela. Mais tarde, esse caso daria o argumento para o conto
“Una estación de amor”.
1897 – Viaja de bicicleta de Salto a Paysandú, uma
proeza na época.
1898 – Na imprensa de Salto aparece seu primeiro artigo,
sobre ciclismo. No verão, vai a Buenos Aires e conhece o poeta argentino
Leopoldo Lugones, cuja obra admira.
1899 – Publica seu primeiro conto e lê Baudelaire, Poe,
Lugones. Colabora na Revista de Salto.
1900 – Viaja à Europa. Em Paris, participa de uma
corrida de bicicleta no Parc de Princes. No Café Cyrano, conhece Rubén Darío.
Ao retornar, decide permanecer em Montevidéu, onde retoma o grupo literário com
os amigos de Salto. Obtém o segundo lugar num concurso de contos, concorrendo
com dezenas de escritores da América espanhola. Da comissão julgadora faziam
parte os conhecidos autores uruguaios Javier de Viana e José E. Rodó.
1901 – Recebe em Montevidéu a visita de Lugones. Morrem
dois de seus irmãos, Pastora e Prudencio. Aparece seu livro de estréia, Los
arrecifes de coral, de poemas e relatos.
1902 – Em março, mata o poeta Federico Ferrando com um
tiro acidental de pistola. Desesperado, tenta suicidar-se num poço, sendo
contido por amigos. Depois de provar sua inocência muda-se para Buenos Aires.
1903 – Leciona castelhano no Colégio Britânico de Buenos
Aires e participa de uma expedição às ruínas jesuíticas, chefiada por Lugones.
1904 – Publica El crímendelotro, contos. Adquire
um campo perto de Resistencia, no Chaco, para plantar algodão.
1905 – Com o fracasso da plantação, retorna a Buenos
Aires. Começa a colaborar no semanário Caras y Caretas.
1906 – É nomeado professor de castelhano e de
literatura na Escola Normal nº 8. Nas férias, vai a San Ignacio, em
Misiones, onde adquire 185 hectares de terra com a intenção de plantar
erva-mate.
1907 – Continua lecionando em Buenos Aires e namora uma
aluna, Ana MaríaCirés, “menina de 15 anos, loura, de olhos azuis e caráter
reservado”, enfrentando novamente a oposição dos pais.
1908 – Publica as novelas Los perseguidos e Historia
de un amor turbio. Viaja a San Ignacio para construir a casa onde pretende
morar.
1909 – Publica mais de uma dezena de contos em Caras
y Caretas. A 30 de dezembro casa-se com Ana MaríaCirés.
1910 – Quiroga e Ana María se transferem para San
Ignacio.
1911/2 – A 29 de janeiro nasce Eglé, primeira filha do
casal. Quiroga cultiva erva-mate e produz suco de laranja, doce de amendoim,
mel e carvão. Renuncia ao magistério em Buenos Aires e, no mesmo ano, é nomeado
juiz de paz e oficial do registro civil, San Ignacio, funções que exerce com
pouca ou nenhuma dedicação. A 15 de fevereiro de 1912 nasce o filho Darío.
1913/4 – Ana María não se adapta à vida na selva e são
constantes os desentendimentos do casal. Quiroga continua trabalhando afanosamente
em suas plantações.
1915/6 – A 14 de dezembro Ana María se suicida, ingerindo
forte dose de veneno (os dias finais de Ana María são relatados, como ficção,
na novela Passado amor). Quiroga permanece na selva com os dois filhos
pequenos, mas, no final de 1916, retorna a Buenos Aires.
1917 – A 17 de fevereiro, por gestões de amigos, é
nomeado contador do Consulado Geral do Uruguai. Publica Cuentos de amor de
locura y de muerte, obra que rapidamente se esgota.
1918 – Publica Cuentos de la selva (para losniños).
1919 – Escreve dezenas de notas sobre filmes, numa época
em que os intelectuais vêem o cinema como arte menor.
1920 – No Uruguai, seu amigo Baltazar Brum chegara à
Presidência da República. Vai com freqüência a Montevidéu, levando outros
escritores, entre eles a poetisa AlfonsinaStorni, com a qual tem um caso
amoroso. Publica o livro de contos El salvaje.
1921 – Publica Anaconda, contos. Em fevereiro,
estréia no Teatro Apolo sua peça Las sacrificadas, versão dramática do
conto “Una estación de amor”. Conhece Jorge Luis Borges, que recém voltara da
Europa.
1922 – Por designação do Presidente Brum, viaja ao Rio
de Janeiro como membro da embaixada uruguaia aos festejos do centenário da
independência brasileira. Ao regressar, passa por Melo para conhecer Juana de
Ibarbourou.
1923 – Publica contos na imprensa e seus primeiros
ensaios sobre a criação literária.
1924 – Publica El desierto, contos.
1925 – Passa as férias em Misiones, preparando seu
retorno à selva.
1926 – De volta a Buenos Aires, aluga uma casa de campo
em Vicente López. Numa das viagens que faz para lá, conhece sua futura segunda
esposa, uma jovem de 18 anos, María Elena Bravo. Publica seu livro mais
elogiado pelos críticos: Los desterrados.
1927 – A 16 de julho, casa-se com María Elena Bravo.
1928 – Nasce a filha do segundo casamento. Recebe o
mesmo nome da mãe, mas a chamam de Pitoca.
1929 – Publica a novela Pasado amor, que vende
apenas 50 exemplares.
1930 – Desde 1927 seus amigos no Uruguai estão
afastados do poder e o controle de suas atividades no consulado torna-se mais
severo. É criticado por escritores da nova geração e, em casa, surgem as
primeiras rusgas conjugais.
1931 – De parceria com Leonardo Glusberg publica o
livro Suelo natal, mais tarde adotado como livro escolar.
1932 – Vai para Misiones com María Elena e a filha,
conseguindo, no entanto, manter o cargo diplomático, a ser exercido na selva.
1933 – María Elena, como Ana María, não se adapta ao
isolamento e as brigas recomeçam. A 31 de março, Gabriel Terra fecha o
parlamento no Uruguai e seus amigos são totalmente alijados do centro das
decisões. Suicida-se seu protetor, o ex-presidente Baltazar Brum.
1934 – Em abril é destituído de seu cargo público e
passa a enfrentar graves problemas financeiros.
1935 – Publica Más allá, contos. Alguns amigos,
entre eles o escritor Enrique Amorim, obtêm do governo sua nomeação como cônsul
honorário, com vencimentos, numa homenagem da nação uruguaia ao seu talento.
1936 – A crise conjugal se agrava e María Elena retorna
a Buenos Aires com a filha. Na solidão da selva, relê Dostoiévski e se encanta
com os novos narradores norte-americanos, entre eles Hemingway. Em setembro,
adoentado, viaja para Buenos Aires, internando-se no Hospital de Clínicas.
María Elena o assiste com dedicação.
1937 – Os médicos revelam que seu mal é irremediável:
um câncer gástrico. Na madrugada de 18 para 19 de fevereiro, suicida-se com
cianureto. É velado na Casa do Teatro, sede da Sociedade Argentina de
Escritores. Pouco depois suas cinzas são transportadas para Salto.
1939 – Suicida-se Eglé.
1954 – Suicida-se Darío.
1989 – Suicida-seMaría Elena, a Pitoca
REFERÊNCIAS
Biografia
de Horácio Quiroga. Disponível em:
Acesso em: 29 de setembro de 2013.
Vida de Horácio Quiroga. Disponível em:
Acesso em: 29 de setembro de 2013.